Padre Gerard dá início a sua
quarta passagem a frente da prefeitura de Japaratuba e entra
definitivamente para a história como o maior líder político de todos os
tempos no celeiro da cultura sergipana [1]
Marca é um compromisso com a liberdade e participação popular
O padre Gerard Lothaire Julles Olivier (PT) iniciou em 1º de janeiro
de 2013 o seu quarto mandato a frente da prefeitura municipal de
Japaratuba e poderia ser o quinto ou sexto, caso não sofresse impugnado
em 1982, quando elegeu um poste – Jócio Menezes Lopes, PMDB (mas não
levou) e ter sofrido sua única derrota em 1996, quando Pedro Moura Neto
(PPS) retornou ao comando do município.
Aliás, pela ordem, são Gerard Olivier, Pedro Moura e Hélio Sobral
(PMDB) os três políticos de maiores longevidades na política do celeiro
da cultura sergipana, cuja capacidade de renovação de suas lideranças é
um tabu que, quando quebrado, é com a eleição de uma representante da
oligarquia política, como foi o caso da ex-prefeita Lara Moura (PR).
Em 1982, a regra eleitoral gestada no regime militar, previa a
aglutinação de candidaturas majoritárias, que somados resultaria na
eleição do mais votado do partido e não o candidato, o que tornou Pedro
Moura (PDS) prefeito de Japaratuba pela primeira vez. Pedrinho ficou 6
anos a frente da prefeitura de Japaratuba, promovendo uma operosa
gestão ainda hoje lembrada por várias gerações, espólio que o mantém em
evidência.
- A arrancada para a vitória
O primeiro mandato do padre Gerard Olivier foi alcançado em 1988
quando derrotou o candidato da situação, Carlos Lemos Menezes (PFL),
apoiado pelo prefeito Pedro Moura. Em 1992, Gerard elegeu seu sucessor
o então vice-prefeito Hélio Sobral Leite (eleito pelo PDC e transferido
posteriormente para o PMDB).
Um gesto que ainda hoje é tido como imperdoável pelo padre Gerard,
que vez por outra demonstra este sentimento, foi o que caracterizou
como a grande traição praticada pelo prefeito Hélio Sobral, agora no
PTB, quando apoiou o então adversário Pedro Moura Neto (PFL) que se
elegeu em 1996 prefeito de Japaratuba, impondo a única derrota sofrida
pelo religioso em tentativas de chegar ao comando do município (no
currículo do Pe Gerard, consta outro insucesso eleitoral, quando não
elegeu-se deputado estadual em 1994).
Apesar de adversários, Padre Gerard (PT) e Pedro Moura (PPS) sempre
mantiveram uma relação de convivência e de respeito mútuo e a maior
demonstração aconteceu no ano 2000, quando “Pedrinho”, chamado assim
carinhosamente pelos japaratubenses, entre os quais o padre belga,
surpreendeu a todos e anunciou às vésperas do dia de São Pedro o apoio
a candidatura do “adversário” que se elegeu derrotando o engenheiro
agrônomo Hélio Sobral (PTB) que tentava retornar ao comando do
município. Seria esta uma traição a Hélio Sobral? Não, pois os dois já
haviam rompido logo no início da s segunda gestão de Pedro Moura. A
aliança e o apoio do DEM (Reinaldo, Albertino e André Moura) e do PPS
(Pedro Moura) ao PT em Japaratuba, levou o PT de Pirambu a retribuir
com o apoio a reeleição do prefeito André Moura (DEM) em Pirambu.
Em 2004 Padre Gerard (PT) e Hélio Sobral (agora no PMDB) reviveram a
chapa vitoriosa 16 anos antes, elegendo-se prefeito e vice-prefeito,
derrotando a chapa liderada pela primeira dama de Pirambu, Lara Moura
(PR), que tinha como vice-prefeito o ex-prefeito Pedro Moura (PPS),
pontuando a partir daquele momento uma polarização que se fazia visível
desde 1982.
A tentativa de eleger em 2008 seu sucessor pela segunda vez o
vice-prefeito Hélio Sobral (PMDB) esbarrou na força que vinha de fora
(Pirambu) e nas contradições internas da sua administração e o grupo
liderado por André Moura, desta vez elegeu Lara Moura (PR) prefeita de
Japaratuba, calçada na força indiscutível do vice-prefeito Pedro Moura
(PPS), que se manteve firme no grupo, sendo um expoente disciplinado.
A campanha eleitoral de 2012 colocou Padre Gerard e Hélio Sobral
pela terceira vez na disputa e como sempre, marcada por vitórias
consagradoras. Com raras aparições em público, face a seu estado de
saúde e ter sido submetido a algumas intervenções cirúrgicas, a foto do
candidato a prefeito desfilou ao lado do candidato a vice-prefeito,
possivelmente tendo este fato sensibilizado o eleitor, que mesmo tendo
ambos enfrentado processo de impugnação, só revertido após a eleição,
sagraram-se vencedores nas urnas em 07 de outubro passado.
Disposto a corrigir erros, distorções e principalmente consolidar os
acertos de gestões anteriores, o prefeito Padre Gerard Olivier (PT)
pautará sua nova gestão dentro do princípio da “Liberdade e
Participação”, assim como tentou fazer desde 1989 quando deu início a
administração “Força Popular”, a época constituída dentro de um arco de
aliança que reunia o PMDB, o PDC e o PSB, hoje ampliada para mais de
uma dezena de partidos, das mais diversas matizes ideológicas,
transitando desde a direita ao social liberalismo.
Quando se esperava que o ex-prefeito Pedro Moura guardaria mágoa
pela derrota sofrida ao lado da ex-prefeita Lara Moura, este não se fez
de rogado e marcou presença na posse de Padre Geraldo, não apenas para
prestigiar a posse em segundo mandato do vereador Demóstenes da Fonseca
Moura (DEM), seu filho, mas mostrando acima de tudo um gesto de um
grande homem, reconhecimento que sempre teve do atual prefeito de
Japaratuba que o chama carinhosamente de “Pedrinho”.
- O tempo é o senhor da história
Não dá para fazer uma avaliação da gestão que está se iniciando,
dados os seus primeiros 20 dias, mas independente da nossa condição de
crítico e opositor assumido do
modus operandi do Padre
Gerard, e temos razões insofismáveis para fazer, este entra
definitivamente para a história como o maior líder político de
Japaratuba, superando figuras como Affonso de Oliveira Souza, seu
adversário (e nunca inimigo) Pedro Moura e seu atual vice e potencial
sucessor em 2016, Hélio Sobral Leite, um político que tem dado provas
de superação de rótulos que lhe tentam imputar e tem feito autocrítica
que devem ser levadas em considerações.
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